Resenha: La sustentabilidad estética de la condición humana: desafíos de la educación contemporânea

Por Rachel Hidalgo em 4 de agosto de 2020

Na foto: autor Pablo Rene Estevez (Fonte: http://www.vanguardia.cu/)
 

O conceito de Educação Estético-Ambiental (EEA) fomenta uma formação integral, relacionada a elementos éticos, estéticos e ambientais. Sua construção teorica e metodologica leva em conta, aproximadamente, 30 anos de desenvolvimento, entretanto, foi nos últimos quinze anos que tal tema recebeu maior atenção por parte de seus/suas pesquisadores/as, sobretudo no Brasil e em Cuba. 

Um dos expoentes de tal tradição e Pablo Rene Estevez – reconhecido pela Asociación de Pedagogos de Cuba (APC) como “Educador Destaque do Século XXI”, em 2008, além de receber o prêmio máximo da mesma associação, intitulada “Gaspar Jorge García Galló”, em 2015. Tal aclamação se deu por mérito de seus trabalhos desenvolvidos no Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande – PPGEA/FURG e por tantos vínculos que este pesquisador criou ao longo de sua carreira, espraiando o conceito de EEA desde então.

No artigo academico “La sustentabilidad estética de la condición humana: desafíos de la educación contemporânea” (2019), a doutora Lurima Estevez Alvarez isola o conceito em duas diferentes categorias a fim de explicitá-lo com maior abrangência em seguida. São elas: 1. a orientação transdisciplinar da modalidade educativa; e 2. o tema da sustentabilidade estética como princípio do desenvolvimento humano e social. 

Na primeira categoria, a autora coloca a transdisciplinaridade como a constituinte de tres outras modalidades que contemplam a educação tradicional nas ciências, ou seja, a de enfoque disciplinar, multidisciplinar e interdisciplinar – ainda que estas possuam limites para a apreensão de uma realidade natural e social. Sua dimensão transdisciplinar viria, então, com a emergência de evidenciar outras possibilidades nas Ciências Sociais, em especial, nas Ciências da Educação.  

Segundo a autora, a referida modalidade pode ser notada com maior nitidez, no livro “La educación estética del hombre nuevo”, publicado por Estevez em 1987, em parceria com Montero, Pino e Thomas. Quando os mesmos apontam que “el domínio estético del mundo incluye en sí los cuatro tipos de actividad: la práctico-transformadora; la cognoscitiva; la valorativa y la comunicativa” (Estévez, 1987: 92-93), criando, com este pensamento, a noção de que uma formação considerada integral leva em conta, nas palavras de Alvarez (2019), “[…] el impacto estético-educativo de estas actividades sobre la conciencia del ser humano” (pág. 372). 

Outro aspecto de suma importância nesta categoria e o parâmetro ambiental, apontando para a ideia de que as relações subjetivas (intra-inter-supra) promovem impacto na personalidade das pessoas a partir do ponto de vista da significação humana e do processo de assimilação prático-espiritual do mundo. 

Em linhas gerais, Alvarez apresenta uma série de trabalhos do pensador cubano na companhia de outros/as pesquisadores/as, em sua maioria, brasileiros/as, em que se podem observar estas características. Indicando-as como parte essencial do conceito de EEA. Em outras palavras, a dimensão da educação em valores na modalidade estético-ambiental como centro das suas experiencias teorico-metodologicas. 

Já a segunda categoria, o tema da sustentabilidade estética como princípio do desenvolvimento humano e social, evoca o problema de pesquisa suscitado por Estevez ainda no Brasil, ao lado das professoras Elena Maria Billig Mello e Diana Paula Salomão de Freitas, por meio do projeto “A Educação Estético-Ambiental nos cursos de graduação da Universidade Federal do Pampa (EEAUNIP)” (2015). Sua proposta era criar uma atividade de multipropósito, de caráter vivencial, focada na capacidade de “sentir”. Com isso, a crise socioambiental era colocada aos/as acadêmicos/as envolvidos/as por meio da perspectiva da condição estética da natureza humana, ademais, o seu empobrecimento no contexto contemporâneo. 

Algum tempo depois, de volta a Cuba, o autor introduziu esta linha de pensamento na Licenciatura em Educação Artística com o intuito de “promover una reflexión crítica en torno a los problemas teóricos, metodológicos y prácticos de la educación estética de la personalidad (concebida en la unidad de sus componentes racional y emocional” (2015), acrescentando ao conceito a pertinência de assumir a sustentabilidade estética como um princípio reator do desenvolvimento humano e social. 

Segundo a autora, o alcance da sustentabilidade estética e ampliado pelo autor quando este atravessa os limites epistemológicos do estético: 

[…] ceñido al dominio del arte y la literatura y con menosprecio de las esferas de la naturaleza y el trabajo. Para ello, retoma el vocablo griego Aisthesis que, por una parte, tributa a la formación de una cultura de los sentimientos (en la acepción de la estesia), y por otra, al desarrollo de la sensibilidad (en la acepción de la estética). (2019, pág. 381).

 

Nesse sentido, para ela, ambas as concepções apontam para o desenvolvimento integral que fora mencionado ao longo da pesquisa de Estevez, transcendendo as expectativas disciplinares do trabalho educativo, propiciando a afetividade e a assimilação de novos conhecimentos. 

A grosso modo, penso que a EEA possui, notadamente, força propulsora para pensar problemas de ordem pessoal e profissional, permeando a prática docente-educativa de sensibilidades que, vez ou outra, são caracterizadas como irrelevantes para apreensão do conhecimento. Isso porque a dimensão sensível dos/as pesquisadores/as e estudantes, que independe do tipo de espaço acadêmico que preenchem, e erroneamente atrelada a falta de rigor científico. Quando, por outro lado, qualquer resultado alcançado pelos/as mesmos/as, obrigatoriamente, passam por um corpo físico/emocional que sente e reage, como um filtro do ambiente em que se localiza intrinsecamente ligado aos processos mentais que possa vir a produzir.

 
Resenha do artigo:
ALVAREZ, E. Lurima. La sustentabilidad estética de la condición humana: desafíos de la educación contemporânea In: Revista Gestao e Sustentabilidade Ambiental. Florianópolis, v. 8, n. 4, p. 368-385, out/dez. 2019. Disponivel em:

Escrito por: Rachel Hidalgo

Graduação em Comunicação Social (UNISANTOS), licencianda em Artes Visuais (UNIP), mestrado em Educação Ambiental (CAPES/FURG) e doutoranda no mesmo programa (CNPq/FURG). Tema de pesquisa: Educomunicação Socioambiental por meio do suporte audiovisual.

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