Paulo Freire: Visão Emancipatória de Mundo

Por Adriana Gustavo Cardoso em 19 de agosto de 2020

De pronto, ao pensar em Educação Ambiental (EA) Crítica, diante de minhas crenças e práticas, penso na concepção Freiriana de educação. Com efeito, Freire e sua concepção de educação libertária, emancipatória e política lutou/luta combativamente, através daqueles que acreditam em um mundo melhor, contra uma educação elitista e desigual. Seus ensinamentos, para além de qualquer método ou dinâmica, são um aprendizado para a vida. Vida essa que necessita, no cotidiano de cada um, de uma ação de empatia, carinho, respeito e comprometimento com o outro.
 
Por suas ações em prol de uma educação popular, igualitária e política, foi exilado, em tempos outros no Brasil. Nem por isso abateu-se, continuando sua luta fora do país. O mundo assim conheceu Paulo Freire, um educador brasileiro que trouxe um novo rumo para a educação, qual seja, uma visão de mundo crítica, na qual o sujeito busca a compreensão da vida a partir de sua realidade, para atuar para si e para os outros cultural, social e politicamente.
 
A educação, nesse sentido, está intimamente ligada a esse cotidiano, a esse ir e vir de diferentes olhares, presenças, atitudes e esperanças. O cotidiano, além do contexto individual, imbrica-se fortemente ao contexto ambiental. É o ambiente natural que nos mantêm vivos para ser e para estarmos nesse ambiente enquanto sujeitos críticos de nossa realidade. E é sobre essa realidade que devemos pensar: somos sujeitos críticos? Refletimos sobre nossa prática enquanto pertencentes de uma comunidade?  O que fazemos efetivamente para preservarmos nosso ambiente? Ou será que não fazemos nada?! Nada? Não é possível…É nessa perspectiva segundo Freire (2002) que,
 
A consciência do mundo e a consciência de si como ser inacabado necessariamente inscrevem o ser consciente de sua inconclusão num permanente movimento de busca. Na verdade, seria uma contradição se, inacabado e consciente do inacabamento, o ser humano não se inserisse em tal movimento. É neste sentido que, para mulheres e homens, estar no mundo necessariamente significa estar com o mundo e com os outros. Estar no mundo sem fazer história, sem por ela ser feito, sem fazer cultura, sem tratar sua própria presença no mundo, sem sonhar, sem cantar, sem musicar, sem pintar, sem cuidar da terra, das águas… (FREIRE, 2002, p. 64).
 
 
Desse modo, sabemos mesmo que nas experiências iniciais que vivenciamos, na escola, desde pequenos, criamos uma cultura ambiental. Dependendo como esta se dá, olharemos lá na frente, como queremos/percebemos o meio ambiente. Nossas ações refletem o sujeito que ambientalmente aprendemos a ser. Eis que entra a EA crítica na perspectiva de Freire. O que aprendemos pode não ser impactante para efetivas ações conscientes de preservação do ambiente, mas isso não quer dizer que não devamos repensar nossas atitudes em uma retomada crítica de postura em prol do meio ambiente e do local que vivemos.  Não ouvíamos desde nossa infância em casa que “É de pequeno que se aprende…”?
 
Pensar em Educação Ambiental implica, necessariamente, na reconstrução de apreensões individuais e coletivas que temos sobre nossa natureza. Essa natureza que agoniza e pede socorro diante de tantos ataques que sofre.
 
É na esperança que podemos ter um mundo melhor, que mantemos a crença de poder fazer a diferença, nem que seja do tamanho de um grãozinho de areia; que a empatia pelo outro e pelos lugares que habitamos são importantes; que a educação ambiental se dá nos espaços formais e não formais de educação e é uma relação do homem/humano com o planeta em sua essência; que a educação seja efetivamente emancipatória no sentido de proporcionar uma leitura crítica de mundo do sujeito e que este mundo seja igualmente social para todos e todas.
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

Escrito por: Adriana Gustavo Cardoso

Professora do Magistério Superior da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Líder do Grupo de Pesquisa em Estudos em Educação Ambiental e Contemporaneidade (GEEAC/UNIR). Tema de pesquisa: Educação Ambiental, Trabalho, Universidade e Formação de Professores.

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