Ribombo realiza segundo encontro virtual

Por Rafael Simione Paiva em 2 de julho de 2020

“1997, março, Diadema o município,
Uma câmera, uma fita de vídeo
Mostra pro mundo sangue, ignorância,
Animais com distintivos.
Não entendi a surpresa,
Infelizmente era só um outro dia comum,
Dia de enterro, velório,
Dia que a polícia matou mais um[…]”
 
Começo o texto de hoje com o início de uma música do grupo de rap Facção Central, música chamada Lágrimas de Sangue, presente no disco Estamos de Luto lançado em 1998, na cidade de São Paulo.Mas o que o Rap tem a ver com o Ribombo? A resposta é simples: eu estudo Rap e faço parte do Ribombo, logo todas as peças se encaixam e entende-se o motivo disso tudo (risos).
 
Brincadeiras a parte, no dia de ontem (01/07) realizamos mais um encontro virtual e eu fui o responsável pela proposição do tema para a discussão, e me baseando em acontecimentos recentes, como o fato de assassinatos cometidos pela polícia diariamente terem ganhado um pouco de destaque na grande mídia, indiquei o debate sobre essa composição, pois me dei conta que mesmo se mudarmos as datas e os lugares citados pelos cantores do grupo nessa música em específico, é como se tivessem a escrito nesse ano de 2020, tamanha a semelhança com práticas que ainda são muito comuns no nosso dia a dia, principalmente aqui no Brasil.
 
E foi o que aconteceu, debatemos ao longo de mais de uma hora sobre elementos ligados à esse universo da música, discutindo sobre Rap, Funk, MPB, marginalidade e mais algumas coisas. Inclusive, o encontro de ontem serviu também para o questionamentos dos colegas de grupo acerca de meu TCC, visto que o Facção Central é meu objeto de pesquisa, o que me ajudou a compreender alguns elementos que ainda me confundiam e a enxergar algumas coisas que permaneciam escondidas de mim.
 
Por último, mas não menos importante, o encontro de de ontem foi especial por marcar a presença da mais nova integrante do Ribombo, a professora Adriana Cardoso, que dá aula lá na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), a pouco mais de três mil quilômetros de distância da gente aqui no extremo sul do país, mas que graças à internet, foi possível fazer-se presente nesse encontro e, formalmente, lhe damos as boas-vindas ao Ribombo, professora!
 
Caso se interessem pela música debatida ontem, cliquem aqui, garanto que vão concordar que mesmo após 22 anos de seu lançamento, ela permanece extremamente atual dado o que vem acontecendo nos dias de hoje, principalmente levando-se em conta o cotidiano das periferias do Brasil. Portanto, encerro essa postagem com mais um trecho da letra proposta.
 
“[…]Confiar em quem? Pedir apoio pra quem, então?
Se quem é pago pra nos proteger
Toda noite na nossa gente descarrega o oitão.
Mas que p**** de polícia é essa que não protege
Preto, branco, pobre, favelado?
Que todo o jovem da periferia é suspeito,
Candidato à finado.
Eu já to cheio de enterro, velório,
Cadáver cercado de velas,
Infelizmente a paz é só embaixo da terra.
Não quero a minha mulher com minha filha do colo
Chorando lágrimas de sangue me enterrando.
Sinto muito por todas as vítimas, todas as famílias,
Por todas as lágrimas de morte arrancadas pela maldita polícia.[…]”
 

Escrito por: Rafael Simione Paiva

Graduando em História (FURG). Tema de pesquisa: A potencialidade da Educomunicação no Rap Paulista.

Redes sociais


Textos de Apoio


O Ribombo organiza encontros quinzenais para discutir seus temas de pesquisa e elaborar novos projetos no campo da EA. Clique no botão para ir à página dos textos de apoio de cada reunião

Parceiros


logo furg
logo ppgea

Colunistas