Dossiê temático n. 3: Fotografia Ambiental

Por Altemir Viana em 9 de julho de 2020

1 Mostra Latino Americana de Arte e Educação Ambiental (MOLA), uma oportunidade tamanha para quem há tanto tempo, vivendo somente em um mundo quase onírico, tem a possibilidade de um retorno de expressão, e pela arte. A fotografia seduz não somente pelo próprio fazer, mas também pela transformação causada fortemente por suas capacidades.
Aqui, como mencionado na ficha de curadoria, Fotografia Ambiental, uma inquietação, esta fotomontagem, fotografia sonora, denota evidências da constituição de uma nova proposta na categorização fotográfica. Um estilo possível, de fotografar e dizer o que precisa ser dito.
Em uma mostra de arte, que se produz vinculada a um programa de pós- graduação em que o debate é a educação ambiental, baliza toda a possibilidade de comunicação necessária a uma problemática que parece ainda não tão bem absorvida por uma sociedade. A possibilidade de usos assim como sua notória carga de registro, denota algo muito além de uma simples indicação. A popularidade de uma nova sedutora possibilidade artística também produz inquietação. A fotografia já não nos provoca estranhamentos, mas a acomodação que parece algo notório, coloca-se desarranjado pela fotografia ambiental, que denota uma expansão da fotografia.
Desde 1960, com o pós-modernismo, os últimos obstáculos são derrubados e são abertas outras possibilidades de expressão pela fotografia, que aproveitava a expansão dos meios de comunicação e da consolidação da cultura de massa. A pop arte e o minimalismo também beneficiam a expansão fotográfica. Agora toda a expansão fotográfica experimentada em sua instrumentalização como também em sua forma de expressão coloca a fotografia em uma vanguarda que vai além do registro, em uma forma de reflexão. A fotografia ambiental é reflexão.
Refletir provoca uma oportunidade de transformação. A fotografia ambiental, para a mostra, debate, baseada na concepção problematizadora de educação de Paulo Freire e que fez uso de fotografias como material de pesquisa. A produção fotográfica mostra a fotografia ambiental como recurso possível para o trabalho em educação ambiental.
A composição sonora contribui para uma evidenciação complementar de ganho ao processo, mas não diminuindo o poder visual e imagético da composição. Para tal, buscou-se fundamentação nos princípios da Educação Ambiental de fundamentos, no devir de Deleuze, nas Três ecologias de Guattari e na Pedagogia Libertadora de Paulo Freire, como referenciais teóricos. Como resultante deste processo, identifica-se o entendimento de outros saberes que estão impulsionando
o pensar e o fazer.
Podemos dizer que esta característica aproxima também o fotojornalismo da fotografia ambiental (environmental photography), pelo fato de aprofundar a relação do olhar perto tanto quanto ao longe. E isto não necessariamente de uma maneira literal, ou seja, o olhar acelera os processos cognitivamente, seus afectos e perceptos, nos leva ao foco além da lente, ao um possível problema e sua solução, sua consequência ou ainda, sua origem.
É nesse sentido que retomam a fórmula célebre de Paul Klee: “não apresentar o visível, mas tornar visível”. A possibilidade de exposição no I MOLA entendo primordial, em uma dimensão educativa. Possibilitar dialogarmos sobre os valores estéticos, os quais implicam nos éticos, sobre as formas como nos relacionamos com o mundo através dos sentimentos, antes mesmo de qualquer ação educativa. Valores que podem ser construídos a partir de um olhar mais justo para com as relações socioculturais, favorecendo outras posturas frente ao meio ambiente.
Parafraseando Deleuze e Guattari, esta oportunidade de devir, os devires são fenômenos de dupla captura, que reverbera em algo que transforma, pois, quando alguém ou algo se transforma, aquilo em que ele se transforma muda tanto quanto ele próprio.
Título: Fotografia Ambiental / Modalidade: fotografia
Linha de pesquisa: Raízes dos Fundamentos da Educação Ambiental
Artista: Altemir Viana
A partir de reflexões sobre a fotografia jornalística, esta denota evidências da constituição de uma nova proposta na categorização fotográfica, a da fotografia ambiental. Baseada na concepção problematizadora de educação de Paulo Freire e que fez uso de fotografias como material de pesquisa. A produção fotográfica mostra a fotografia ambiental como recurso possível para o trabalho em educação ambiental.
Acesse o dossiê completo aqui

Escrito por: Altemir Viana

Fotógrafo. Jornalista repórter fotográfico CRP 18517/RS. Graduado licenciatura em Artes Plásticas e discente do do 5º semestre do curso de bacharel em artes visuais pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande. Coordena o NUFO- Núcleo de Fotografia Secom - FURG e os projetos CDOC-AV e Narrativas Urbanas do ILA - FURG. Interessado no estudo sobre imagens, educação, estética, meio ambiente e humanidades.

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