A vulnerabilidade da costa brasileira frente às mudanças climáticas

Por Alisson Lucena em 16 de junho de 2020

As mudanças climáticas tendem a mudar radicalmente o modo como a sociedade se organiza atualmente. Por mais que estejamos hoje em dia em uma situação onde a sociedade precisa se adaptar, o caso do coronavírus, creio que a questão climática deverá ser muito maior. Claro que estamos falando de algumas décadas adiante, porém, é preciso pensar políticas públicas hoje para esse problema que certamente virá amanhã.
 
Pensando nas zonas costeiras, ambiente em que vive esse grupo de pesquisa, a situação não é nada boa. O relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas nos mostra que a costa brasileira é extremamente vulnerável às mudanças no clima, considerando ainda a desigualdade econômica dessa imensa região. Em alguns estados, mais desenvolvidos economicamente, os números mostram uma certa adaptabilidade aos efeitos das mudanças climáticas. Porém, na maioria dos casos, os desastres que podem ocorrer em estados mais pobres podem ser irreversíveis.
 
Tanto o aumento no nível do mar, quanto eventos climáticos extremos podem gerar prejuízos gigantescos em cidades com rende dependente do turismo. Além disso, os números apontam para possíveis “refugiados do clima”, pessoas que serão obrigadas a se deslocar de suas regiões por causa de efeitos permanentes das mudanças climáticas. Ou seja, estamos em uma contagem regressiva para enormes desastres humanitários. A pandemia é só um bônus.
 
Não estamos falando apenas de predições para um futuro longínquo. Segundo o relatório, vários dos ecossistemas costeiros que serão atingidos pelo aumento do nível do mar já sofrem impactos pelo uso insustentável dos recursos. Além disso, não há quantidades de estudos o suficiente para uma análise nacional dos impactos da elevação do nível do mar integrados à vulnerabilidade das cidades costeiras, o que dificulta qualquer tipo de planejamento.
 
Em uma palestra ocorrida no dia 09/06/2020, o professor João Alveirinho Dias, do Centro de Investigação Marinha e Ambiental, nos mostrou como as cidades litorâneas se constituíram ao longo da história. Ao final, ele nos mostra o quanto é prejudicial para o meio ambiente e para a própria cidade a constituição de construções tão perto da praia. Com o avanço dos efeitos das mudanças climáticas, essas cidades serão as primeiras a sofrer com inundações vindas do aumento do nível do mar, e elas não estarão preparadas para isso, principalmente no Brasil onde o índice de vulnerabilidade das cidades é muito grande.
 
A crise mundial da COVID-19 tem mostrado ao mundo que vale a pena investir na ciência e na educação para superar os desafios atuais e os que estão por vir. Somente um povo bem educado que confia na ciência pode enfrentar da forma certa tais desafios. Enquanto negarmos a eficácia dos investimentos na ciência e educação, estaremos nas mãos de líderes incapazes e incompetentes, que no fim apenas refletem a falta de educação do povo.
Referências:
 
Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas – Impacto, vulnerabilidade e adaptação das cidades costeiras brasileiras às mudanças climáticas (Relatório especial do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas). PP. 21-32.
 
Acesse o texto original aqui.
 

Escrito por: Alisson Lucena

Historiador em formação. Fotógrafo amador. Músico fracassado.

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