Resiliência pelo olhar

Por Altemir Viana em 12 de maio de 2020

(Na foto: Alunos da Escolinha Infantil Algodão Doce – Plantio na Praça Saraiva Agosto/2018)
Aprendi desde cedo a resiliência, apesar de claro, não a reconhecer com este nome. A reconheci, neste conceito, durante as leituras cotidianas, nos textos virtuais que nos aparecem através de links pertinentes as nossas escolhas, relacionadas às nossas pesquisas, aos nossos olhares.
Conhecia resiliência como uma forma de sobreviver e entendia desta forma. Entendia como a possibilidade, na maioria dos casos, como a única forma de sobreviver às situações sofridas. As coisas aconteciam e você tinha de decidir, direita ou esquerda, para cima ou para baixo, sem titubear, as consequências poderiam ser desastrosas e muitas vezes eram.
Ao deparar-me com a charge “Natureza Minimalista”, apresentada e selecionada no Iº Mostra Latino Americana de Arte e Educação Ambiental (MOLA), tenho a resiliência como que reativada na lembrança.
A arte tem isso, nos joga ao encontro de uma razão ao mesmo tempo que nos sacode em sua poética.
Na vida vamos aprendendo, tentando se moldar, muitas vezes sem saberes, sem ferramentas, sem alguma noção, simplesmente vivendo a situação, a criar a resiliência necessária a toda situação enfrentada tendo de tomar decisões com embargo e no meu caso, noto que hoje, ainda não ao final, os lucros são maiores do que as perdas.
Natureza minimalista trata da vida cotidiana. O viver diário. Na obra os pássaros que sobrevoam troncos restantes, vestígios de várias arvores cortadas, e que outrora serviam, estas árvores, de abrigo a estes pássaros. Agora, pela vastidão de vários troncos cortados, assemelham a uma arquitetura moderna, de poucas linhas, minimalista e consequentemente contemporânea em arte, o que confunde os pássaros: seriam estas as novas formas das moradias?
O autor reconhece a resiliência, em sua charge. Ele nos diz em sua ficha de curadoria: _ A tentativa dos pássaros de normalizar e se adequar a esse novo estilo de vida imposto usando de termos humanos é parte do que constrói o humor da obra.
A construção da arte segue nossos instintos, nosso pensar, nosso entendimento. Dificilmente colocamos ali, o nosso não entendimento (sentimento). O que o pássaro ‘pensa’ é que o autor pensa. Em tudo isso surge uma certeza, somos resultados do aprendizado pelo olhar, pela observação, principalmente, pelo entendimento visual do que gostamos, do que vemos e compreendemos que aquilo nos serve, nos realiza e nos identifica.
A tentativa dos pássaros de normalizar é como a ter resiliência, é também estar em conformidade ao que se torna usual, presente, uma performance ao que surge, uma moldura momentânea ao quadro pintado, ao que se apresenta. Mas entendo que em um segundo momento, o importante como ação, é estar até juntamente a resiliência ter-se a consciência de que além da superação a retomada, mesmo com um pequeno desvio, seja retomada em um objetivo mesmo ainda desconhecido, mas que almeja o prazer, o sentir-se bem consigo mesmo. Ao seu entendimento de aprendizado, baseado em suas fontes de conhecimento, ao seu exemplo visual. Isso sim é importante, entendo.
Olhando Natureza Minimalista, com um terreno devastado, uma situação triste ou constrangedora, devemos entender o acontecido. Tire suas próprias conclusões mesmo ouvindo a opinião alheia, aliás, escute bem quando houver outros sons mas emita sua opinião. Como segunda aprendizagem importante, entendo o humor. Na resiliência, o humor auxilia em muitas situações. Seja na reação ao inusitado ou como instrumento de aproximação em determinadas situações e nada melhor do que debater pela arte em uma mostra de arte e educação ambiental.
O humor possui uma grande força. De introdução, entendimento e solução a situações apresentadas. O humor corrige também. Mesmo na tristeza encontramos o humor, escondido, às vezes nem o notamos, mas ele está lá. Infelizmente às vezes, ele não é pra nós mesmos. Mas parecendo engraçado ou não, entendo mesmo que deveríamos olhar as coisas com mais humor, fazer como os mexicanos que encaram a morte com outro olhar, um olhar que particularmente, culturalmente, me agrada mais. Não que devemos nos acomodar ao que vemos em muitos casos, mas que devemos reagir com resiliência, com entendimento e porque não, humor.
Natureza Minimalista nos mostra também que diante de tal situação, podemos reagir de forma ativa ambientalmente, então, se cortarem as árvores, para cada queda, plante duas ou três.

Escrito por: Altemir Viana

Fotógrafo. Jornalista repórter fotográfico CRP 18517/RS. Graduado licenciatura em Artes Plásticas e discente do do 5º semestre do curso de bacharel em artes visuais pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande. Coordena o NUFO- Núcleo de Fotografia Secom - FURG e os projetos CDOC-AV e Narrativas Urbanas do ILA - FURG. Interessado no estudo sobre imagens, educação, estética, meio ambiente e humanidades.

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