Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) no contexto da EA

Por Ribombo em 30 de abril de 2020

Desde o lançamento do livro “Primavera Silenciosa” de Rachel Carson (2010), tratando do uso abusivo de agrotóxicos; do “Relatório do Clube de Roma – Os Limites do Crescimento” (1972), alertando para a exploração dos recursos naturais; além dos encontros que foram realizados no mesmo período, como a marcante Conferência de Estocolmo e a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, surge, mundialmente, uma preocupação com os problemas ambientais e a necessidade de uma Educação Ambiental (EA).

A Declaração de Tbilisi (1977), resultado da Conferência Intergovernamental de Tbilisi na Geórgia, divulgou a seguinte mensagem: “A educação ambiental deve abranger pessoas de todas a idades e de todos os níveis (…). Os meios de comunicação social têm a grande responsabilidade de colocar seus enormes recursos a serviço dessa missão educativa” (UNESCO, PNUMA, 1977, p.1). O trecho demonstra que os recursos midiáticos recebiam novo reforço para o enfrentamento dos problemas socioambientais para colaborar com que a Educação Ambiental fosse, de fato, reconhecida por um enfoque multidisciplinar e integracionista.

Tal lacuna social era, e de certa forma ainda é, provocada não somente por questões econômicas, mas também pela capacitação de profissionais, entre pesquisadores/as, estudantes, ativistas e outros/as, que possam pensar a Educação Ambiental diante das mudanças sociais globais. A menção da palavra “capacitação”, aqui, tem relação com a apropriação do conhecimento, da abrangência do campo e do alargamento de seus temas – e muito menos a ver com uma capacitação de mão de obra para algum trabalho específico.

Nesse sentido, o desafio da EA, para além dos enfrentamentos socioambientais, é reelaborar conceitos e metodologias que precisam, como qualquer outra ciência, ser revisitada e questionada permanentemente, bem como refletir sobre a sua evolução e seu contexto atual. E como forma de criar vias de acesso a esse tipo de renovação, que organismos internacionais, incluso Brasil, chegaram aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

No ano 2000, 189 países comprometeram-se com os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM) “(…) visando inserir os princípios do desenvolvimento sustentável nas políticas e nos programas nacionais e reverter a perda de recursos ambientais (BRASIL, 2013)”. Embora com progressos nos anos iniciais, os fóruns e documentos que se seguiram desde então não apontavam notícias positivas:

“quando tentamos avaliar as mudanças ocorridas dez anos depois da mega conferência do Rio, teremos que assumir que as recomendações, contidas no imperioso documento Agenda 21, ou mesmo nos princípios de valores da Carta da Terra, transformaram-se em belas proposições jamais cumpridas por nenhum país” (SATO, 2002, p. 1).

E seguindo as discussões em torno do tema, ocorrem também a  IV Conferência Internacional de Educação Ambiental, em Ahmedabad, na Índia (2007); a conferência realizada em Copenhagen, na Dinamarca (2009); a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (2010); e a 17ª Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Durban, (2011); sempre buscando uma participação mais ativa da comunidade internacional sobre o meio ambiente, principalmente tratando-se de nações como Estados Unidos e China, grandes emissoras de poluentes (BARRETO; VILAÇA, 2018). 

Segundo Barreto & Vilaça (2018), em 2012:

“(…) percebe-se  que a integração dos aspetos económicos, sociais e ambientais não é ainda satisfatória em termos mundiais. Vemos isso claramente no documento gerado a partir do Rio+20, The Future We Want (UNESCO, 2012), o qual reconhece a ligação da pobreza com o modo de consumo, reconhece a necessidade de promover um crescimento económico equitativo e justo, reconhece a importância da paz, liberdade, segurança, direitos humanos, igualdade de género e empoderamento das mulheres, entre outras afirmações que sabidamente deveriam já vir sendo implantadas e aplicadas desde a Eco-92”.

Assim, na Rio + 20 que, finalmente, foi criado o processo intergovernamental dos 17 ODSs como parte de uma nova agenda de desenvolvimento sustentável que, a grosso modo, estabelece uma série de metas relacionadas às nossas ações no mundo até o ano de 2030. Cada tema foi elaborado em sua especificidade por fundos e programas da Organização das Nações Unidas no Brasil:

1. Erradicação da Pobreza
2. Erradicação da Fome
3. Saúde de Qualidade
4. Educação de Qualidade
5. Igualdade de Gênero
6. Água limpa e saneamento
7. Energias Renováveis
8. Empregos Dignos e Crescimento Econômico
9. Inovação e Infraestrutura
10. Redução das Desigualdades
11. Cidades e Comunidades Sustentáveis
12. Consumo Responsável
13. Combate às Mudanças Climáticas
14. Vida Debaixo da Água
15. Vida sobre a Terra
16. Paz e Justiça
17. Parcerias pelas Metas

Cada documento pode ser visto em detalhes por meio deste link

Nesse sentido, a partir desse mapa de 17 pontos cruciais para evolução do planeta é que as instituições universitárias, escolares, programas, veículos de comunicação, projetos em vários níveis e outros, têm reforçado ações, sejam por meio de materiais informativos, pedagógicos, pesquisas, produtos audiovisuais, e outros, com o objetivo de alcançar, até o ano de 2030, algum progresso dentre os temas apontados.

Apesar da “Era de Negacionistas” em que vivemos, é muito difícil pensar que não enfrentamos uma crise mundial envolvendo diretamente as relações humanas. E é justamente nesse ponto que a Educação Ambiental pode agir, trabalhando por meio de ações pontuais que possam também gerar uma evolução de perspectivas para além de conferências e fóruns internacionais, mas que chegam a conhecimento, e vivência, de muito/as outro/as atores/atrizes sociais.

Referências Bibliográficas:

BARRETO, Leopoldo Melo; VILAÇA, Maria Teresa Machado. Controvérsias e concensos em educação ambiental e educação para o desenvolvimento sustentável InResearch, Society and Development, v. 7, n. 5, p. 01-18, e975167, 2018. Disponível em:
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/52120/1/2018-Barreto_Vilaca.pdf

DECLARAÇÃO DE TBILISI. Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental. Tbilisi, Geórgia: UNESCO, PNUMA, v. 14. Disponível em:
http://igeologico.sp.gov.br/wp-content/uploads/cea/Tbilisicompleto.pdf .

PNUD/UNESCO. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, 2015. Disponível em: http://www.pnud.org.br/ods.aspx

SATO, Michele. Para quem servirá Jo’Burg 2002? In: V Conferência Latinoamericana sobre meio ambiente (s.p.). Belo Horizonte: ONGs Ambientalistas, 2002.

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Graduação em Comunicação Social (UNISANTOS), licencianda em Artes Visuais (UNIP), mestrado em Educação Ambiental (CAPES/FURG) e doutoranda no mesmo programa (CNPq/FURG).
Tema de pesquisa: Educomunicação Socioambiental em Zonas Costeiras.



Escrito por: Ribombo

Ribombo é o nome dado a um novo grupo de pesquisa e estudos criado em 2018 e resulta do envolvimento com investigações, atividades de ensino, extensão e de gestão em políticas públicas em educação ambiental ao longo das últimas duas décadas. Como perspectiva, busca estudar os fundamentos da EA, bem como a educação ambiental articulada ao tema das mudanças ambientais globais, fenômeno que traspassa a experiência civilizatória contemporânea, e a questão dos objetivos do desenvolvimento sustentável. Utiliza o blog como uma das suas estratégias de comunicação e intercâmbio, buscando publicizar a produção acadêmica, disseminar informações e socializar fontes de pesquisa e a produção de material audiovisual.

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